Muitos já devem estar sabendo e muito se falou nos últimos dias a respeito da proibição da execução de música ao vivo no Original Beto Batata, restaurante, espaço cultural, apoiador da cultura curitibana. O espaço encontra-se neste endereço, no bairro Alto da XV há 11 anos. As discussões giraram em torno da forma como a polícia fechou o estabelecimento, praticamente “expulsando” os clientes, segundo testemunhas, num sábado de frio e chuva em Curitiba, obrigando as pessoas a irem embora mesmo durante o mau tempo. Isso tudo porque no momento apresentavam-se no bar um trio instrumental composto de piano, baixo acústico e oboé.
O motivo: o bar não tem alvará para apresentações de música ao vivo.
E porque o bar não possui o alvará?
Inciou-se então uma segunda discussão, a respeito da dificuldade de se obter o referido alvará, e das exigências para ele. No jornal da RPCTV foram convocados o presidente da Associação do Bares e Casas Noturnas e o comandante da PM responsável pela ação ou outra pessoa da Prefeitura de Curitiba que pudesse debater o assunto. O presidente estava lá, mas ninguém da prefeitura compareceu ao programa ao vivo.
Porque a prefeitura não enviou ninguém para o debate? Será que ele não é assim tão importante?
Do outro lado os vizinhos, que foram entrevistados pela RPC e reclamaram de bateria e guitarra até 2, 3 da manhã.
Essa discussão está gerando uma queda de braços entre bares, restaurantes, casas de shows e clientes desses lugares, que querem e tem o direito a diversão, ao “happy hour” do fim do dia, ao jantar de aniversário, além dos músicos que precisam desses espaços para trabalhar…e do outro lado, as pessoas que querem e também precisam descansar para o trabalho do próximo dia.
Quem está certo?
Os dois lados!!
O que precisa ser feito então?
Organização, discussão, legalização (dos bares e dos músicos): novas regras para a obtenção do alvará, liberação de horários específicos para música ao vivo que não ultrapassem o limite de decibéis, isolamento acústico das casas que mantém música até mais tarde, delimitação de locais na cidade que permitam a instalação de bares em regiões não residenciais, organização da classe musical com criação de sindicatos, associações de músicos, para que os músicos tenham também voz e vez na tomada de decisões, e outras atividades que possam permitir tanto a o acesso a cultura quanto o direito ao descanso.
Esperamos que decisões sejam tomadas para garantir todos os direitos: Diversão, Trabalho e Descanso!